sábado, 5 de maio de 2012

Rumo às águas





Sob a lua que ainda balança insone

entre vielas e vértebras de paredes pálidas,

palpita meu beijo esquecido às escuras

nos montes dos teus lábios tesos;



Um raio pactuado com a tempestade

insurge diante da noite

e do ar mutilado que sustenta um suspiro

ainda revejo teus olhos queixosos

e úmidos por eu ter que de partir;



Rumo à flor que o mar me oferece,

ao suor das mãos tecido em prece

esperam-me as águas... Amanhece!



Desperto das cores dos candeeiros acesos,

das sombras solitárias que se erguem,

harpeadas de féretro silêncio

e dançam como pétalas tontas ao vento;





Longe do vilarejo, um pescador ao mar;

Ao desalento das estrelas derramadas inúteis

por que te ressurges das noites de solidão

e mesmo quando todo o céu é puro breu,

falso de anjos e demônios, guardo-te silente

na pedra dura da minha existência;



Reascende-me o olhar marginal das ilhas,

do fogo comum de toda esperança que exila,

enredado na coragem que não se aplana.



Daniel Genovez
Rio, 15 de julho 09.



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