(Ao meu pai Daniel Genovez)
*In memoriam
Foram-se seus pais
E antes, os avós...
Esqueceu-se da companheira
E dos seus filhos;
Atravessou o rio
Sobre a ponte de cipó...
Por um fio;
Meu amigo da vida inteira.
Foram-se os vizinhos,
Os parentes,
Os amores
Pelos caminhos rentes;
Os passantes,
Os ajudados,
Os militantes
E os ausentes...
Bichos, plantas, as rosas,
As sementes.
E todos os pássaros de prosa
Voaram...
Nomes de outrora;
Rastros, registros... Passado!
Apagados da memória,
Em uma só baforada
Da fumaça que invade.
Foi embora pro nada...
E volta
Na esquecida saudade!
Rio, 08 de maio de 07.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
sábado, 5 de maio de 2012
Rumo às águas
Sob a lua que ainda balança insone
entre vielas e vértebras de paredes pálidas,
palpita meu beijo esquecido às escuras
nos montes dos teus lábios tesos;
Um raio pactuado com a tempestade
insurge diante da noite
e do ar mutilado que sustenta um suspiro
ainda revejo teus olhos queixosos
e úmidos por eu ter que de partir;
Rumo à flor que o mar me oferece,
ao suor das mãos tecido em prece
esperam-me as águas... Amanhece!
Desperto das cores dos candeeiros acesos,
das sombras solitárias que se erguem,
harpeadas de féretro silêncio
e dançam como pétalas tontas ao vento;
Longe do vilarejo, um pescador ao mar;
Ao desalento das estrelas derramadas inúteis
por que te ressurges das noites de solidão
e mesmo quando todo o céu é puro breu,
falso de anjos e demônios, guardo-te silente
na pedra dura da minha existência;
Reascende-me o olhar marginal das ilhas,
do fogo comum de toda esperança que exila,
enredado na coragem que não se aplana.
Daniel Genovez
Rio, 15 de julho 09.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Engano...
Uma topada na pedra alardeia todo o reino!
A linda princesa desperta do seu sonho profundo;
Esquecida de fugir comigo, boceja num aceno
E do castelo cheirando imundo...
Acendem-se os lampiões.
Por ordem do rei Reno, partem os ferozes cães ...
As flechas dos guardiões pararam inúteis no meu peito;
Não encontraram mais meu coração estreito
Só a dor que se escondia diante do fato consumado...
Mordidas dilacerantes, feridas abertas, o pé quebrado;
Nada dói mais que amar errado!
Daniel Genovez
Rio, 28 de agosto 07.
A linda princesa desperta do seu sonho profundo;
Esquecida de fugir comigo, boceja num aceno
E do castelo cheirando imundo...
Acendem-se os lampiões.
Por ordem do rei Reno, partem os ferozes cães ...
As flechas dos guardiões pararam inúteis no meu peito;
Não encontraram mais meu coração estreito
Só a dor que se escondia diante do fato consumado...
Mordidas dilacerantes, feridas abertas, o pé quebrado;
Nada dói mais que amar errado!
Daniel Genovez
Rio, 28 de agosto 07.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Chuva Fora de Estação
Chuva Fora de Estação
Daniel Genovez
Rosa...
A chuva agora está caindo
A manhã que brota sorrindo, te anseia
Na ternura das gotas cálidas
Molha as joaninhas, a borboleta
Que se aninha no seu coração
Que é de ninguém
Olha...
Lá fora de época, a primavera,
Está crescendo o lírio junto à roseira
Acorda de leve e prazenteira
A terra quebrada de tanta espera
Que se abriga no seu coração
Que é de ninguém
Nos galhos secos desfolhados pelo vento,
Um amor sincero agarrou meu pensamento...
Agora...
O céu azul ficou mais claro,
De tantos pássaros alegres revoados
Fora de época
Está chegando a primavera
Molha...
Brotos se abrindo da roseira,
Os pingos que caem da soleira
Escorrem num trilho
E formam um rio
Que me leva para o sertão
Que se aninha no seu coração
Que é de ninguém
E é meu também.
27 de abril 08. * Esta poesia foi publicada no Portal de Campos do Jordão:http://www.camposdojordao.inf.br/index.php?option=com_content&task=view&id=111&Itemid=1
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